O cobrador que escrevia – parte 1

8 de fevereiro de 2010

Manoel Lins trabalha como cobrador desde os seus 18 anos. Passou por diversas empresas até chegar ao transporte coletivo de Aracaju. No início de 2009 começou a fazer algo diferente em frente à catraca. Começou a escrever. Ninguém sabia o que Maneco, como era conhecido, preenchia naqueles cadernos.

O ritual era o mesmo. Passava os passageiros, esses pagavam as passagens, e sentavam em seus lugares. Quando todos daquele grupo seguiam para os bancos do fundo do ônibus, ele pegava o caderno e começava a anotar. Em outras oportunidades, o cobrador nada escrevia, só observava.

Imagem extraída do blog http://www.axisdraco.com/

Maneco conhecia a maioria dos seus passageiros pelo nome. Teve, segundo ele, a graça de ficar em uma única linha: Augusto Franco / Bugio.

Chegava sempre no horário na empresa. Estava no primeiro turno de trabalho, pela manhã, sentava em seu escritório ambulante, organizava as moedas nos compartimentos de sua mesa, e esperava o motorista começar mais um dia de trabalho.

No final de seu expediente, pegava carona até a garagem, onde entregava o relatório. Antes de prestar contas, passava na mercearia de Seu Zé, vizinha a sede da empresa. Por orientação da chefia, não podia entregar o dinheiro em trocados. Por isso, fazia a alegria do dono do estabelecimento ao saber que teria troco para seus clientes.

Prestado todo o relatório, Maneco é um dos poucos em que seus chefes não tinham problemas com relatórios, ele ia para frente da empresa, onde tem um banco que rodeia uma árvore. Sentava e terminava suas anotações no caderno. Depois, pegava carona até a sua residência, onde se preparava para o próximo dia de trabalho.

Continua

A pescaria e o texto

5 de fevereiro de 2010

Escrever texto é como pescar. Você lança o anzol no mar das ideias e espera um peixe faminto comer a isca. Quanto maior, melhor. O problema é que nem sempre os peixes são bobos, o que me irrita muito.

Fui pescar esses dias em um rio de Alcobaça, Bahia. Disseram-me que a maré estava para peixe e que ao final do dia estaríamos com no mínimo três sacos do animal. Mas o que se viu, foi um monte de pescador dando alimento aos peixes.

É mais ou menos assim que me sinto quando quero escrever textos. Parece que a maré literária será generosa ao autor, mas ao que se vê são textos mais espertos que piabanha. Você percebe que os textos estão ali, mas escapam correnteza abaixo.

Agora, por exemplo, tenho um monte de peixes povoando minha mente e eu quero as transformar em moqueca. Mas os bichos estão danados de espertos. Assim como peixes que beliscam a isca, mas não a mordem, alguns primeiros parágrafos não viraram textos.

Na pescaria que fiz esses dias o que nos salvou foi o siri. E olha que foi uma moleza catá-los, apesar da brabeza. Era só colocar uma cesta com uma cabeça de peixe no rio, esperar alguns minutos, puxar e lá estava ele todo valentão, mas que nada fazia em nossos pratos.

Assim, só posso oferecer aos senhores um siri. Aproveita que é dos grandes. E não pode mais atacar, pois já virou texto, digo, moqueca.

Futurrível

18 de janeiro de 2010

No curso de jornalismo tive aulas de Teoria Política com o professor Rômulo. Em uma dessas aulas ele explicou o termo “futurível”. O termo surgiu pelo fato das ciências sociais não poder prever cientificamente o futuro. Nas Ciências naturais se o fenômeno X acontecer, a reação será Y quer queiram quer não queiram. Mas não é o caso com as ciências sociais. Por exemplo: se um político recebe uma proposta de propina é possível que ele aceite, é possível que ele não aceite. Como a tendência dos políticos é de receber propina, então se criou a terminologia futurível.

Deixando as aulas do professor, pastor, doutor (o que ele é mais hein?) Rômulo para trás. Lembrei de uma conversa entre uma mãe com sua filha: “minha filha, esse rapaz não vai te dar um bom futuro…”, automaticamente me veio a ideia de um novo termo para prever. Com vocês o “futurrível”.

Primeiro, vamos explicar a definição do termo. A origem do termo futurrível vem de duas palavras portuguesas: futuro e horrível é igual a futurrível. Assim, toda previsão ruim não cientificamente comprovada pode ser enquadrada como futurrível. Eu escolhi algumas.

Apaixonados – é quando um casal se apaixona a primeira vista. A mulher sabe que o cara é casado, o homem sabe que a mulher é juíza. Resultado possível a essa relação? Futurrível.

Times de futebol – é quando o presidente do clube sabe que o jogador já está velho, já não é mais essas coisas, mas para agradar uma parcela da torcida que quer um jogador referencial (mesmo que seja ruim), ele contrata o atleta. Resultado possível? Futurrível.

Aluno – é quando o professor começa a explicar a aula e o aluno começa a escrever, ou tenta escrever, o que o professor está dizendo, o pedagogo pede para que preste a atenção à aula e que faça as copias depois, o aluno rebeldemente continua a escrever alegando que só aprende assim. Qual possível resultado? Futurrível.

Texto escrito originalmente no dia 13/02/2007 no Recanto das Letras

Os Panquecas

14 de janeiro de 2010

Os Panquecas é a definição do meu tio Edson (vulgo Dinda) para os manés, otários, João Ninguém tirados a Zé Bocó, etc. O “etc” não é mais uma definição de panqueca e sim um recurso para te dizer que existem outras formas de dar nome a um panqueca.

Como em todo grupo, existem diversos tipos de Panquecas. O Panqueca Político é facilmente percebido em uma comunidade. Seu discurso começa com: “no meu ponto de vista…”, e encerra com: “… é complicado”. O que o diferencia dos políticos eleitos é o fato de ele não ser eleito, justamente por ser um panqueca.

Mas nem só do Panqueca Político vivem os Panquecas. Os midiáticos dão imagem a esta classe. Ele acha que a estrela da comunidade, não pode ver um microfone, câmera fotográfica ou filmadora. Se não for alvo de entrevistas, sua comunidade não foi bem representada.

Como em toda legião, existem os superiores: o Panqueca Grão-mestre. Ele acredita ser o detentor da última verdade sobre qualquer assunto. Ele acha que está sendo perseguido por não ter nenhuma especialidade. “Vocês são elitistas a serviço da burguesia”, se defende o Panqueca Grão-mestre se apropriando do discurso dos mais fracos para esconder sua arrogância.

Em suma, os Panquecas só fazem falar, falar e falar e só servem para a distração. Quando governam…

8 dicas de blogs de sucesso

12 de janeiro de 2010

1 – Escrever sempre, pelo menos um texto por dia;

2 – Ser sincero no post, se o texto não é seu, diga;

3 – Use muito texto com sua opinião, as pessoas podem não gostar do pensamento dos outros, mas gostam de saber o que os eles pensam;

4 – Responder aos comentários enviados ao seu blog;

5 – Comentar em outros blogs, e claro, deixar o link do seu;

6 – Em seus emails, colocar o link de seu blog;

7 – Evite perguntar a outros se leu o seu blog, ou usar o MSN, Twitter, só para exigir que as pessoas o acessem. Isso irrita as pessoas (eu sei que faço isso, por isso garanto que não funciona)

8 – Escreva um texto como esse, sempre tem gente querendo saber como fazer seu blog um sucesso.

Conterrâneos que honram a camisa?

11 de janeiro de 2010

Andando pelas ruas, nos shoppings, nas praças e orlas de Aracaju você pode encontrar gente com a camisa do Flamengo, Palmeiras, Vasco, Corinthians; de vez em quando camisas do Sergipe e Confiança.

Mas em visita ao shopping, este blogueiro só vai a shopping quando a necessidade é extrema, precisei mim beliscar para saber se não era sonho: vi um conterrâneo com a camisa do Itabuna Esporte Clube.

De primeiro pensei que fosse do Confiança, mas logo percebi que estava cometendo uma heresia ao comparar o azul sergipano com o do interior baiano. Foi então que me belisquei, confirmado! O cidadão está com a camisa do Itabuna.

Encontrar um cidadão com a vestimenta do Itabuna em Sergipe é como encontrar um torcedor vestido de Sergipe ou Confiança na cidade do cacau. Logo me veio uma pergunta: por que raios ele veste o manto azul?

Torcedor que é torcedor só veste a camisa de seu clube quando a agremiação está vencendo. Quem faz o contrário não torcedor, é maluco querendo morrer. No mínimo morrer de depressão por tanta resenha.

Vejam os flamenguistas, estavam a maioria entocados, exceto, claro, os malucos. Enquanto a torcida do Corinthians, Palmeiras, São Paulo esvaziavam as lojas, a camisa rubro negra era vendida a preço mínimo. Mas o hexa, ou penta, veio e bum!

Como o Itabuna não é um time campeão, mal consegue vaga para última série do Brasileiro (por isso virei, também, palmeirense), perguntei ao tal sujeito por que honrava com tanta coragem o time do sul da Bahia. “Pagando aposta, perdi, por isso tenho que usar esse troço”, respondeu o torcedor do Colo-Colo de Ilhéus.

Ilheense desgraçado e perdedor!

Voltando ao básico

11 de janeiro de 2010

Por questões técnicas, ou seja, por não dominar o PHP (burrice em informática), tive que retornar ao modelo básico do blog. Quando consegui dominar o layout, os meus leitores não conseguiam comentar, e isso é inadmissível.

Por isso, até que tenha domínio completo de um blog/portal vou usar esse mesmo. É pensando em vocês, leitores, que tomo essa difícil decisão.

Mas, aguardem!

Dinheiro para que?

6 de janeiro de 2010

Na reportagem da revista Época, em sua edição on line de 30/12/2009 (clique aqui e leia), o editorial apresenta a história do irlandês Mark Boyle que quer acabar com o dinheiro no mundo.

Segundo a reportagem, o coitado, digo: o cidadão, foi motivado pelo filme biográfico de Gandhi, mais precisamente pela frase que consagrou o indiano: “seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Na boa, mas essa história de acabar com o dinheiro só o vai tornar famoso, nada mais que isso. Se agente for acabar com a raiz dos males não vai ficar pedra sobre pedra, e como estamos aquém das forças, é mais fácil agente morrer e o tal mal continuar.

Razões pelas quais não sou da área de exatas

5 de janeiro de 2010

Já tentei fazer o curso de economia e contabilidade, mas minhas habilidades com contas mais parecem com as do Club Sportivo Sergipe contra o Tribunal Superior de Justiça Desportiva: horríveis.

E neste blog, as razões pelas quais eu não deveria estar na área de exatas aparecem na crônica: “A lenda do 13° jogador”.

Graças a bons blogueiros, como o Mario, consigo provar todo o meu potencial matemático, e agora precisar corrigir uma informação: eu não queria dizer 13º jogador, e sim 12º, afinal, em campo só entram 11 atletas.

Valeu Mário! Da próxima vez, vou usar uma calculadora. Mas, eu usei…

Mais velozes que a luz solar

5 de janeiro de 2010

Parece título de ficção científica, mas é desabafo jornalístico. Com o advento da internet, alguns jornais on line conseguiram superar a velocidade da luz. Falar a verdade, eles a fizeram meros perdedores.

Explico

Desde que jornalismo é jornalismo os profissionais da área tentam o máximo de furo. Furo, é quando um jornalista consegue dar em primeira mão uma notícia. Com a internet, a busca pelo furo web jornalístico ficou desenfreado.

Você já deve ter tido a sensação de em determinado minuto abrir um portal de notícias e não encontrar a tal informação. Uns dez minutos depois, você volta ao noticiário e o encontra com o horário de trinta minutos antes.

Já vi casos, aqui em Sergipe, de um fato ser noticiado antes mesmo dele acontecer. Como? Minha primeira explicação seria a de que eles retroagiram a data de publicação. Mas, analisando positivamente, desconfio que eles seguem o mesmo caminho da natureza.

Segundo os cientistas, quando um objeto consegue ultrapassar a velocidade da luz, ele chega antes de partir. E isso esclarece os furos, que mais parecem crateras, do web jornalismo.

Obs. Em tempo, este blogueiro, quando não coloca o texto na hora, costuma programar para frente, não tenho físico para uma velocidade extraordinária.