Manoel Lins trabalha como cobrador desde os seus 18 anos. Passou por diversas empresas até chegar ao transporte coletivo de Aracaju. No início de 2009 começou a fazer algo diferente em frente à catraca. Começou a escrever. Ninguém sabia o que Maneco, como era conhecido, preenchia naqueles cadernos.
O ritual era o mesmo. Passava os passageiros, esses pagavam as passagens, e sentavam em seus lugares. Quando todos daquele grupo seguiam para os bancos do fundo do ônibus, ele pegava o caderno e começava a anotar. Em outras oportunidades, o cobrador nada escrevia, só observava.
Maneco conhecia a maioria dos seus passageiros pelo nome. Teve, segundo ele, a graça de ficar em uma única linha: Augusto Franco / Bugio.
Chegava sempre no horário na empresa. Estava no primeiro turno de trabalho, pela manhã, sentava em seu escritório ambulante, organizava as moedas nos compartimentos de sua mesa, e esperava o motorista começar mais um dia de trabalho.
No final de seu expediente, pegava carona até a garagem, onde entregava o relatório. Antes de prestar contas, passava na mercearia de Seu Zé, vizinha a sede da empresa. Por orientação da chefia, não podia entregar o dinheiro em trocados. Por isso, fazia a alegria do dono do estabelecimento ao saber que teria troco para seus clientes.
Prestado todo o relatório, Maneco é um dos poucos em que seus chefes não tinham problemas com relatórios, ele ia para frente da empresa, onde tem um banco que rodeia uma árvore. Sentava e terminava suas anotações no caderno. Depois, pegava carona até a sua residência, onde se preparava para o próximo dia de trabalho.
Continua…


